Consultoria Agropecuária e Internet

Tecnologia evita queimadas

Jaísa Gleice Picazo
O Poular - GO

     
Práticas como plantio direto e consórcio grãos/pasto podem substituir,
com vantagens, as queimadas.


        As queimadas poderão ter seus efeitos nocivos sobre o meio ambiente reduzidos a partir de tecnologias divulgadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Usual no campo para combate de pragas, limpeza de terrenos e renovação de pastagens, quando não controladas as queimadas provocam incêndios em grandes dimensões de terras produtivas. Em todo o Brasil são registrados, anualmente, cerca de 300 mil focos.
       
        Goiás, felizmente, não figura entre os Estados que mais tiveram áreas afetadas nos últimos anos, segundo levantamento da própria Embrapa. Mesmo assim, as queimadas ainda são comuns no cerrado. Incentivada pelo governo federal, a equipe da Embrapa, em parceria com outros órgãos, engajou-se na campanha alternativa para a prática de queimadas na agricultura, e vai repassar os resultados a cerca de 400 multiplicadores que, por sua vez, apresentarão as novidades a pelo menos 150 mil produtores.
       
        A recuperação de pastagens pelo consórcio grão/pasto, o uso de sal mineral e uréia, o manejo da palhada para alimentação animal, plantio direto, diversificação da produção, utilização de cobertura verde, cobertura morta, fertilizantes, adubos e compostos orgânicos são tecnologias para a substituição das queimadas. Os agricultores descobrirão as vantagens dessas alternativas através de palestras, dias de campo, unidades demonstrativas e orientação técnica. Os seminários serão iniciados a partir do dia 27 deste mês.

        A queima dos restos de cultura para facilitar a colheita gera economia a curto prazo, mas traz danos ao longo dos anos. O fogo empobrece a matéria orgânica do solo, diminuindo sua atividade biológica e, conseqüentemente, afetando a produtividade das plantas. Muitos produtores têm consciência disso, e mesmo assim abdicam do manejo racional da terra preferindo o menos oneroso e mais rápido.

        O fogo ainda interfere na flora e fauna, principalmente a microbiana, modifica o ecossistema e promove erosões no solo. O projeto da Embrapa vai priorizar as áreas mais afetadas pelo fogo. Pela ordem são: a Amazônia Legal, e os estados do Mato Grosso, Pará, Maranhão e Tocantins. “Em alguns casos, as queimadas são recomendadas, mas sob orientação técnica e com as devidas providências tomadas, como os aceiros”, lembra o pesquisador Fernando Campos, da Embrapa.
       
        A expectativa é que, através do programa do governo federal o número de queimadas em pequenas propriedades rurais seja reduzido em 50% nos próximos anos. Mais de 90% das queimadas ocorrem em áreas agrícolas já desmatadas, informa o pesquisador. Segundo ele, existe desconhecimento técnico por parte do produtor, por isso a atuação dos multiplicadores será essencial para o sucesso do programa.

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