Método utiliza água com nutrientes do
solo, garantindo crescimento de plantas em canaletas .
Uma tentativa de reduzir o peso da semente nas
lavouras de batata – responsável hoje por aproximadamente 40% do custo de
produção – reside numa técnica comumente utilizada para o cultivo de
hortaliças.
A hidroponia, método pelo qual a água adicionada de nutrientes
do solo garante o crescimento das plantas em canaletas, está sendo usada na germinação
de sementes pré-básicas na Estação da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas.
O agrônomo Carlos Alberto Medeiros, que há dois anos se dedica
à aplicação da técnica para a reprodução de tubérculos, acredita numa queda de 90%
do custo da semente pré-básica (qualidade livre de doenças e utilizada para posterior
multiplicação nos campos) cultivada por hidroponia. A desinfestação de vírus e
bactérias que atacam as batatas é feita em laboratório, quando parte do tecido da raiz
é inoculado em ambiente fechado. Em seguida, os resíduos do tubérculo são
transplantados para a brita que, espalhada pelas canaletas, dará sustenção à planta
desenvolvida apenas com os nutrientes misturados na água.
– Essa fase da germinação precisa ser feita em
ambiente isolado de insetos, que são vetores de doenças – explica
Medeiros.
A viabilidade de implantação da estrutura em pequenas
propriedades ainda desperta dúvidas. O agrônomo Arione da Silva Pereira, autor de
pesquisas sobre aspectos econômicos na cadeira de produção de batata gaúcha, sustenta
que a hidroponia não se paga em propriedades de um e dois hectares. Neste caso, Pereira
sugere a associação de produtores para minimizar o impacto do preço da semente no custo
de produção.
– A união também dilui os gastos com equipamentos
– explica.
O agrônomo Júlio Daniels, da Embrapa, discorda de Pereira. No
seu entender, a queda do preço da semente ao patamar de 10% justifica o investimento aos
pequenos produtores.
A saída de circulação do brometo de metila, produto químico
empregado para limpar solos contaminados por doenças das batatas e que contribui para
deterioração da camada de ozônio, está prevista para 2006. Diante da determinação
estabelecida no Protocolo de Montreal, do qual o Brasil é signatário, Medeiros projeta
um crescimento do cultivo de sementes por hidroponia não apenas pelo aspecto financeiro
ao produtor. A questão ecológica, segundo o pesquisador, também pesará.