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Análise
da Pecuária de Corte no Estado do Rio Grande do Sul
21/09/2001
Os focos de febre aftosa ocorridos no Rio Grande do Sul,
em meados do primeiro semestre e em plena safra, geraram
dificuldades de colocação da carne bovina, devido às
restrições às exportações, quer para o mercado externo,
quer para outros estados, acentuando a crise do setor.
Impedidos de vender, muitos produtores ficaram sem receita,
enfrentando séria crise financeira. Mas, diferentemente da
Argentina e do Uruguai, como parte do rebanho gaúcho ainda
se encontrava protegido pela última vacina, os efeitos da
doença em si, foram brandos. E, como o inverno foi ameno, o
gado está em boas condições para o período, permitindo
que se espere disponibilidade de animais para abate no curto
prazo, ou melhor, antes do que em anos anteriores.
O problema maior continua sendo a solução dos problemas
sanitários, porque os preços, embora não sejam os
melhores, estão dentro da média, como pode ser observado
na Gráfico I, que contempla uma série histórica do preço
do quilo do boi vivo no Estado, em dólares, nos últimos 20
anos, tomando-se apenas a média dos preços dos meses de
janeiro a junho de cada ano, definidos como sendo os preços
da "safra".

Observando-se um período menor, 10 anos, verifica-se que
os preços estão apenas quatro centavos de dólar abaixo da
média desse período (Gráfico II).

Mas se olharmos o que aconteceu do Plano Real para cá,
verifica-se que os preços em reais, e corrigidos pelo IGP-DI,
estão em recuperação e já acima da média para o período
(Gráfico III).

Comparando-se a evolução do preço do quilo do boi vivo
a partir da primeira safra pós Plano Real, com a evolução
do IGP-DI no mesmo período, verifica-se que, no início
daquele Plano, o preço médio do boi vivo durante a safra não
só não conseguiu acompanhar a inflação, como apresentou
involução, caindo abaixo do índice 100 em 1996. No ano
seguinte, durante a safra, os preços médios do quilo vivo
apenas retornaram ao valor nominal que vigorava na safra de
1995. Nas safras de 1999 e de 2000, os preços do boi vivo
quase recuperaram seu valor real em relação a 1995, mas
foi somente na safra de 2001, que a valorização do quilo
do boi vivo ultrapassou a da inflação, medida pelo IGP-DI
da FGV. Entretanto, em se tratando de Rio Grande do Sul,
esse dado, fica prejudicado, porque os preços do boi gordo,
são determinados pelo mercado paulista, que não foi
afetado pela crise da aftosa. Aqui, ao contrário, justo no
ano em que parecia que os produtores iriam faturar, para
poder saldar compromissos que vem sendo rolados há algum
tempo, havia preço, mas a ocorrência da aftosa conturbou o
mercado mercado.

No que se refere as relações de troca, a situação é
contraditória, porque se por um lado são necessários
apenas 706 quilos de boi vivo para adquirir um ha de terra
de pecuária, quando em dezembro de 1995 eram necessários
1.447 quilos, favorecendo a quem compra, por outro, essa
diminuição do valor da terra está a estampar a brutal
queda de patrimônio dos pecuaristas (Gráfico V).

Essa relação, no entanto, é favorável aos que
trabalham com terra arrendada. Como pode ser observado no Gráfico
VI, em dezembro de 2.000 eram necessários apenas 29,19 kg
de boi vivo para arrendar 1 ha por ano, a menor quantidade
dos últimos 10 anos.

Em relação às máquinas (mais especificamente ao
trator), a relação de troca favoreceu significativamente
os pecuaristas. Como pode ser visto no Gráfico VII, há 9
anos atrás, eram necessários quase 60 mil quilos de boi
vivo para comprar um trator de 70 a 89 hp. Essa quantidade
caiu para menos da metade na última "safra",
sendo necessários pouco mais do que 28 mil quilos para
adquirir o mesmo trator.

No que se refere a mão de obra, a relação diminuiu de
160 para 126, ou seja, na última safra, vendendo 126,34
quilos de boi vivo, pagava-se um salário mínimo, quando em
1996, era necessário vender 160 kg para poder pagar o mesmo
salário (Gráfico VIII). Observando-se a evolução dessa
relação nos últimos 10 anos, verifica-se a existência de
dois patamares: um de 1990 a 1995 e outro de 1996 a 2001 e,
de 96 para cá, o salário mínimo vem paulatinamente se
desvalorizando em relação ao quilo vivo.

A exceção fica por conta da relação entre a cotação
do fosfato natural (hiperfosfato) e o quilo vivo. Como esse
tipo de fertilizante é importado, as oscilações do real
em relação ao dólar, que em junho de 1996 ultrapassou a
paridade de 1 para 1, é provavelmente a maior responsável
por essa curva irregular (Gráfico IX), que retrata a
quantidade de quilo vivo necessária para a aquisição de
uma tonelada do fertilizante.

O exame desses indicadores está a mostrar, que o
problema maior da bovinocultura de corte neste momento não
é tanto de preço, mas de mercado, devido aos problemas
sanitários. Resolvidos esses problemas, é de se esperar
dias melhores para essa atividade.
Fonte : Emater / RS
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