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Fertilizante de Xisto

 

Gazeta Mercantil / RS

O novo fertilizante Microxisto, lançado na sexta-feira, no 15O Seminário de Gramado, já está sendo comercializado nos três estados da Região Sul. O produto é resultado de um projeto da incubadora tecnológica da Petrobras e da empresa Terra Nossa, do Paraná.

O engenheiro químico e gerente da incubadora tecnológica, Valmor Neves Vieira, informou que o projeto é uma parceria entre a Petrobras e a Terra Nossa, que produz o fertilizante. Vieira informou que o objetivo da incubadora, que funciona desde 1992 e já desenvolveu quatro projetos como esse, é facilitar o desenvolvimento de empresas e novos produtos.

Vieira explicou que a Petrobras participa da produção do adubo fornecendo água de retornagem, resultante do processo de beneficiamento do xisto betuminoso, uma rocha sedimentar de 250 milhões de anos. O xisto é rico em nitrogênio, enxofre, cálcio, ferro, magnésio, potássio e sódio. O processo é feito em um equipamento chamado retorta, que aquece o xisto a altas temperaturas. Resultam deste aquecimento, o óleo de xisto (semelhante ao petróleo), gases, enxofre e água. Para resfriar os produtos, é adicionada mais água, que termina o processo com muitos nutrientes provenientes do xisto.

A retirada da água de retornagem do xisto betuminoso é realizada pela Petrobras na estação de São Mateus do Sul, no Paraná, a única do mundo que utiliza esta técnica. A região tem abundância de xisto betuminoso, o que viabiliza o projeto.

Na década de 70, em razão da crise do petróleo. “Como o Brasil não tinha poços de extração do produto na época, começamos a desenvolver pesquisas sobre as aplicações do xisto”, disse Vieira. O projeto previa a criação de 21 estações, mas acabou sendo construída apenas uma usina-piloto. O diretor comercial da Terra Nossa, Ivanes Tortelli, disse que os outros fertilizantes utilizam água comum na composição. “O Microxisto se difere dos demais por utilizar uma água muito mais rica, com mais de 40 elementos macro e micro nutrientes”, informou. Tortelli também informou que o novo fertilizante apresenta ação fungicida e inseticida. “Com o uso do Microxisto, o ganho de produtividade chega a 15%”, salientou ele. O projeto do Microxisto vem sendo desenvolvido desde junho do ano passado.

Anteriormente, a Terra Nossa já havia elaborado um adubo em parceria com a incubadora tecnológica da Petrobras. A Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Cooplantio) fará a distribuição do fertilizante nos dois Estados. No Paraná, a própria Terra Nossa será a responsável pela comercialização do Microxisto. Até o final do ano, o produto deve estar à venda em todo o Brasil. Para isto, a Terra Nossa está ampliando a produção do fertilizante.

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