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Clostridioses
Prevenção é fundamental

Evandro Bittencourt Cedoc
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Sintomas Semelhantes

Precisão no Diagnóstico


   

" Vacinação e mineralização do rebanho ajudam no controle da doença, mas há outros cuidados importantes"

O botulismo é a principal causa de mortes de bovinos no Brasil e seu controle depende da vacinação periódica do rebanho, da suplementação mineral adequada e do monitoramento constante das pastagens e aguadas, para ver se não há animais mortos que possam contaminá-las. A adoção parcial desses cuidados, embora diminua os riscos de surgimento da doença, não conferem a eficácia preventiva desejável.

Alguns produtores fazem apenas a suplementação e abrem mão da vacina, o que pode até proporcionar uma certa proteção à maior parte dos animais, em razão do fornecimento de fósforo, visto que a deficiência do mineral é que leva à osteofagia. Há aqueles animais, no entanto, que mesmo recebendo a complementação de fósforo não abandonam o hábito de mastigar ossos.

Para a gerente de serviços técnicos da Fort Dodge Saúde Animal, Ingrid Menz, esse é mais um motivo para que se dê um destino adequado aos animais mortos, lembrando que não basta enterrá-los. Antes disso, é preciso incinerá-los, caso contrário, o local pode sofrer rebaixamento após a decomposição do cadáver, que geralmente é enterrado muito inchado.

Quando vem as chuvas formam-se poças de água nas depressões, estabelecendo-se, no local, uma fonte de contaminação. Além disso, existe a possibilidade de animais selvagens e até cães domésticos desenterrarem as carcaças e espalharem os ossos pelo pasto.

A aplicação de uma única dose da vacina é suficiente para imunizar o rebanho? A recomendação é que seja dada uma segunda dose de reforço, quatro a seis semanas após, o que, segundo a veterinária, vale para todas as vacinas inativadas. Em condições de criação extensiva, no entanto, esse manejo torna-se muito difícil.

A veterinária cita como exemplo uma experiência realizada pelo professor da Universidade Estadual Paulista, Iveraldo dos Santos Dutra, em uma fazenda em Euclides da Cunha Paulista, onde, em determinado pasto, havia mortalidade muito alta. Os animais foram divididos em dois grupos de 106 cabeças. Um deles recebeu uma única dose de vacina e o outro nenhuma.

O rebanho foi colocado no pasto e a fonte de infecção, um tatu morto dentro do cocho dágua, mantida. “Em uma semana, do grupo vacinado morreu um único animal, e do grupo não vacinado morreram 36 animais. Nesse caso, uma única dose foi suficiente para dar uma boa proteção.”Em regime de confinamento, no entanto, a facilidade de manejo e a maior possibilidade de contaminação do alimento, principalmente quando se trata da cama de frango, exigem a aplicação da segunda dose, recomendam os técnicos.

Anos atrás, as vacinas utilizadas no Brasil eram bastante deficientes e chegava-se a usar de três a seis doses por ano para imunizar o rebanho.

Hoje existem as vacinas bivalentes e de dupla emulsão oleosa, de largo espectro e que conferem imunidade por um período maior de tempo. “A vacina contra a aftosa, por exemplo, quando era aquosa, só protegia por quatro meses e a gente tinha que fazer a vacinação três a quatro vezes por ano”, compara.

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Sintomas semelhantes

Botulismo
Andar duro e cambaleante
Animal permanece deitado
Cabeça apoiada no flanco
Em média, 72 horas até a morte

Enterotoxemia
Dificuldade para andar
Prostração em decúbito lateral
Eventual diarréia hemorrágica
Em média, 24 horas até a morte

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Precisão no diagnóstico


Casos de morte súbita são geralmente associados às clostridioses, doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium, notadamente a enterotoxemia e o botulismo . A veterinária Ingrid Menz adverte, porém, que podem ser várias outras as causas de mortes em que não se pode observar, previamente, sintomas que dêem pistas para um diagnóstico imediato ou conclusivo. Portanto, é sempre recomendável uma investigação mais aprofundada, incluindo-se o exame laboratorial.

As clostridioses ocorrem em todo o país e, no caso da enterotoxemia, a transmissão se dá a partir de esporos da bactéria Clostridium perfringens, que persistem no ambiente por décadas. Embora não se saiba ao certo a razão, a enterotoxemia atinge os melhores animais do rebanho, principalmente os mais jovens, de 6 a 36 meses, mas, na maioria das vezes, até os 29 meses de idade.

De acordo com o veterinário Simon Robinson, diretor técnico regional para Austrália, Nova Zelândia e África do Sul da Fort Dodge - a empresa exporta grande parte das vacinas contra as clostridioses utilizadas no Brasil - apesar da literatura relacionar a maior parte dos casos de enterotoxemia a reses mais jovens, essa não é uma verdade absoluta, conforme sua experiência.

O veterinário recomenda que os animais levados a um pasto novo, independentemente da idade, sejam revacinados apenas para assegurar que tenham plena proteção contra a doença.

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