Consultoria Agropecuária e Internet

B. V .D.
DIARRÉIA VIRAL BOVINA

Dra. Thais Pires Lopa


Sintomas Clínicos
Animais Persistentemente Infectados - PI
Transmissão
Diagnóstico
Profilaxia


" Considerada uma das mais importantes síndromes virais que afetam mundialmente os bovinos, acarretando transtornos reprodutivos e nascimento de animais fracos que tornam -se portadores e transmissores da doença. Atualmente, 70 a 90 % da população de bovinos no mundo é soropositivo para BVD (apresenta anticorpos por contato com o vírus)." 

 

            Essa síndrome foi denominada como Diarréia Viral Bovina por ter sido o vírus identificado pela primeira vez como causador de uma diarréia aguda que provocava lesões erosivas na mucosa digestiva (aftas) dos animais e que geralmente era fatal.  Mais tarde se percebeu a maior complexidade do quadro infeccioso, sendo o vírus causador de outras desordens orgânicas. ¹ Foram descritos dois tipos diferentes de vírus da BVD, tipo 1 e tipo 2. Ambos, tipo 1 e tipo 2 tem características citopáticas e não-citopáticas.

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1 - Sintomas Clínicos

            A maioria das infecções causadas pelo vírus da BVD são subclínicas, mas suas manifestações podem ser agrupadas em três categorias: forma aguda, infecções uterinas e doenças em animais persistentemente infectados (PI).

            A forma aguda pode variar muito quanto a sua apresentação, desde sintomas como febre, depressão e corrimento nasal e ocular até diarréia e doença respiratória. Podendo terminar em completa recuperação ou morte dependendo de vários fatores: incluindo condições de imunidade do animal, modo como foi infectado e idade.

            O vírus provoca uma profunda imussupressão, diminuindo a capacidade de defesa do organismo frente a doenças, ficando o animal suscetível a infecções respiratórias e intestinais.

            Na infecção uterina, dependendo do estágio da prenhes e das condições de imunidade da vaca quando infectada, poderá haver:

            -        aborto,

            -        natimortos,

            -        nascimento de terneiros com defeitos congênitos,

            -        nascimento de terneiros normais e persistentemente infectados ou imunes.  

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            O biotipo não-citopático é responsável por todas as infecções uterinas. 

            Se a vaca é infectada com o vírus BVD no primeiro trimestre da gestação, o feto provavelmente morrerá podendo ser reabsorvido, abortado, ou ainda se tornar mumificado podendo ser expelido ou não. Os abortos são esporádicos, normalmente 2 a 7 % nos surtos da doença.

            Se a vaca é infectada entre os 60 e 120 dias de gestação, o terneiro nascerá na condição de "persistentemente infectado" (PI). Esses animas carregarão por toda a vida o vírus, transmitindo-o em grande quantidade através das secreções. O sistema imune do feto de menos de 120 dias não é capaz de responder corretamente na presença de um agente agressor, conseqüentemente o vírus se multiplica. Mais tarde quando o sistema imunológico se torna competente o vírus que está no organismo é reconhecido como do próprio e não há resposta imune por parte deste (imunotolerância).

            Infecções com o vírus entre 100 e 180 dias de gestação pode resultar em defeitos congênitos como hipoplasia cerebelar, hidrocefalia, catarata e outros similares.

            Vacas infectadas no último trimestre de gestação, quando o sistema imune do feto já está funcional e capaz de eliminar a infecção, darão cria a terneiros normais e imunizados.

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2 - Animais Persistentemente Infectados - PI

 

            São provenientes de um útero infectado como descrito acima, ou nascem de mães PI, e são o centro da cadeia epidemiólogica. A prevalência desses animais é baixo, mas seu potencial de eliminar grande quantidade de vírus e infectar outros animais é grande.

            Não são facilmente identificados por serem soronegativos.

            São aparentemente saudáveis, mas muitos nascem fracos, suscetíveis à doenças e tem desempenho inferior aos outros, ou então apresentam sinais neurológicos.

            Alguns morrem por outras infecções e muitos morrem ao desenvolverem uma doença altamente fatal, chamada doença das mucosas. Essa forma ocorre geralmente entre os 6 meses e  dois anos de idade, ocorrendo uma diarréia intensa, muitas vezes com sangue, com lesões por toda a mucosa digestiva. Muitos animais PI não desenvolvem essa doença das mucosas e vivem por toda a vida infectados, mas todos que desenvolvem são animais infectados intrauterinamente, por isso imunotolerantes, e que são expostos a uma forma variante citopática.

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3 - Transmissão

 

            A transmissão ocorre principalmente por contato direto com animais que apresentem a forma aguda e que eliminam o vírus por pouco tempo (aproximadamente 2 semanas), e por animais PI.

            O sêmen de touros PI ou com a forma aguda também é fonte de infecção.  Animais destinados a centrais de inseminação devem fazer testes para BVD.

            Ovinos podem se tornar infectados quando em contato direto com bovinos e vice-versa.

            Agulhas, luvas, formiga (pinça de prender a narina e conter o animal) e outros equipamentos que são usados de um animal para outro sem trocar e sem assepsia.

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4 - Diagnóstico

 

            O diagnóstico clínico é difícil pela complexidade de sintomas. O diagnóstico da doença das mucosas é importante para identificar o animal PI e assim proteger o rebanho de mais animais PI.

            O diagnóstico laboratorial é feito enviando amostras de sangue com anticoagulante, mantidos sob refrigeração, para testes sorológicos, só que não identificam os animais PI. E também por isolamento e identificação do vírus, através de swab nasal, soro e amostras de tecidos.

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5 - Profilaxia

 

            Evitar a introdução de novos animais no rebanho, caso não se possa evitar, esses devem ser isolados e feito teste para BVD. Na inseminação artificial, o sêmen usado deve ser de touros testados.

            A profilaxia vacinal deve ser introduzida para evitar a infecção fetal e aumentar a imunidade através do colostro.

            A vacinação não elimina o animal PI, mas diminui a eliminação do vírus no meio ambiente.

Rebanhos com histórico de problemas reprodutivos ou sinais clínicos que se suspeite de BVD devem ser pesquisados com testes laboratoriais. Se houverem animais positivos se recomenda a .vacinação.

            Aqui no Brasil, apenas as vacinas inativadas são permitidas por serem mais seguras, entretanto seu período de proteção é curto e a resposta imune provocada é fraca, não sendo eficaz para proteger o feto. Precisa de uma dose de reforço 3 a 4 semanas depois da primeira vacinação e revacinação anual. A revacinação em fêmeas pode ser feita antes do período de monta.

 

 

Referências

¹ Smith, B: Bovine Virus   Diarrhea: Mucosal Disease:Large Animal Internal Medicine. 1996

  Stokka,Gerald L.; Falkner, Robin; Bierman, Pat; Van Boening, Jeremy: Bovine Virus Diarrhea.

          

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